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Parolin: poucas perspectivas de paz na Ucrânia e Oriente Médio, é preciso fraternidade

O secretário de Estado, olhando para os conflitos no mundo, exorta a “viver a esperança”, pedindo esforços e ações imediatas para limitar os danos. Na sede da Câmara dos Deputados da Itália (Montecitorio) para apresentar o projeto do “Manifesto para a saúde do futuro”, o cardeal exorta a um compromisso por parte do governo e de todos pela saúde: “A autonomia deve ser conjugada com os direitos do doente. Qualquer organização deve ter estes princípios como base, caso contrário fracassa”
Vatican News
Olhando para os conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente e para a exasperação da violência, o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado, exorta a “viver uma atitude daquilo que São Paulo chamou de ‘esperando contra toda esperança’ (Rm 4, 18). “Verdadeiramente de um ponto de vista humano, parecem-me existir poucas perspectivas de paz”, afirma o purpurado à margem da apresentação no Montecitorio de Dignitas Curae – Manifesto pela saúde do futuro.
Interpelado por jornalistas sobre as guerras em curso, Parolin afirma que neste momento “as posições são de tal forma distantes e opostas que não podemos ver caminhos comuns que possam levar à paz. A paz deveria vir porque toda guerra acaba, certo? Depende o quanto tempo dura e o quanto destrói em termos de vidas humanas, infraestruturas, quantos danos. Certamente, quanto mais durar a guerra, maiores serão os danos. Então, realmente precisamos trabalhar. Tentamos ajudar nesse sentido, dentro dos limites das nossas possibilidades.”
Renovar os organismos internacionais
 
Sobre o que muitos definem como a “impotência” dos organismos internacionais, o cardeal secretário de Estado observa que dentro destas instituições “se refletem aqueles que são os interesses de cada uma das partes. Nenhuma está disposto a renunciar a eles para encontrar uma solução comum. Talvez precisassem de uma reforma, como já dissemos tantas vezes como Santa Sé, porque nasceram em um período diferente, imediatamente após a Segunda Guerra Mundial e em um clima de guerra fria. Talvez seria necessário encontrar novos tipos de expressão. É sempre verdade o que o Papa diz: se não houver o senso de fraternidade humana, nada se resolverá, o sentir-se família, onde todos cuidam uns dos outros e especialmente dos mais fracos”.
Conciliar autonomia, cuidado e direitos do paciente
 
Quanto ao tema do evento, a saúde, o cardeal responde a uma pergunta sobre como o Manifesto lançado, no qual se pede mais direitos, mais cuidados e dignidade, possa casar-se com o projeto de regionalismo e autonomia diferenciada na Itália, após a aprovação do projeto de lei no Senado: “Será preciso encontrar a maneira para conectar as duas coisas”, diz Parolin. “Evidentemente esta abordagem, esta visão deve reger a organização dos cuidados de saúde. Porque está em jogo a dignidade da pessoa e o seu bem-estar total, físico e espiritual. Qualquer organização deve ter esses princípios como base, caso contrário ela fracassará.”
Responsabilidade de todos
 
“O problema do cuidar da população, especialmente dos grupos mais fracos e vulneráveis” deve, portanto, ser uma prioridade. Para o secretário de Estado, as instituições públicas, o Estado em primeiro lugar, devem “responder a essas necessidades e atender todas as pessoas que têm o mesmo direito de serem tratados e possivelmente curados.”
O convite é para todos, não apenas para o governo: “Devemos fazer mais e devemos fazer melhor, este é o convite fundamental que nos chega do Manifesto”, afirma o cardeal. “É lógico que o governo então faça a sua parte, mas é fácil dizer ‘cabe aos outros’ e isso exclui-nos de uma responsabilidade que temos, claramente diferenciada, neste aspecto, sobretudo de cuidar”.

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